terça-feira

mudanças...

Foram oito anos incríveis, com pessoas maravilhosas.
Crescemos juntas e aprendemos com a vida.
Compartilhamos alegrias, desafios e dificildades.
Vencemos limitações e nos tornamos mais fortes.
Eu honro e agradeço a todas as pessoas que passaram por aqui e deram vida a esse trabalho. 

A começar por minhas amigas e parceiras:Tania Zillio, Calou Assuncah e Marcela Guerreiro.A todas as minhas queridas alunas e pacientes.Tantas Mulheres tiveram a oportunidade de se conhecer melhor e buscar uma nova forma de se


reconhecer...Gestantes puderam fazer escolhas mais conscientes e receberem seus bebês ativamente.Crianças chegaram ao mundo com amor e respeito.Novas Mães puderam ser ouvidas e acolhidas.Famílias se formaram e cresceram.Tantas vidas novas, tantas amizades verdadeiras!Nosso Espaço Sintonia, com a linda vista do Banhado, o por do sol encantador e o ipê rosa cheio de amor, foi o palco dessas aventuras. Vai deixar muita saudade!!!Esse lugar acolheu todas essas vidas e histórias.O que ficou de tudo isso:

GRATIDÃO!
Hoje, ao esvaziar a sala para devolver as chaves, senti que ela continua cheia! Todas essas memórias permanecerão vivas e ecoando para sempre.
VIDA NOVA!
O Espaço Sintonia cresceu tanto que não cabe mais aqui.
Transbordamos e precisamos de um novo solo, com novas parcerias e sementes do bem para germinar.
Agora estamos juntas na CASAMAR para nascer e crescer com respeito!
A seguir, cenas dos proximos capítulos....

NAMASTÊ

sábado

Relato de Parto



INSPIRE-SE...

Leia o relato de parto lindo e esclarecedor de Fabrícia Fernandes!
Parto humanizado, natural e domiciliar .
O objetivo deste relato é inspirar e encorajar outras mulheres e incentivá-las a se conhecerem amplamente. Conhecerem seus medos, inseguranças, traumas e também conhecer o que lhes faz bem e as deixam seguras. Conhecerem seu corpo. E, sobre o parto, buscar informações para que assim possam tomar decisões conscientes.
Minha filha Lara nasceu aqui em casa às 14 h e 56 min, do dia 07/04/2017, pesando 3.095 kg e medindo 46,5 cm.
Tenho cesárea anterior, pois tive placenta prévia na primeira gestação em 2012.
Após estudar sobre a fisiologia do parto, hormônios envolvidos, como funcionam e para que servem as contrações, técnicas de respiração e posições do corpo que favorecem ou prejudicam o trabalho de parto, parto e nascimento. Além de estudar sobre as intervenções hospitalares de rotina feitas na mulher e no bebe, conclui que (conhecendo como me conheço) a minha casa era o lugar onde eu me sentiria mais segura e à vontade para fazer tudo o deveria ser feito para facilitar o parto.
Me preparei física e emocionalmente, independentemente do que fosse acontecer: fiz o curso sobre períneo com a Renata Machado e também yoga para gestantes. Fiz fisioterapia perineal e watsu com a Viviane Manso. Além de dieta (lowcarb) e caminhadas. Participei de rodas de discussão sobre o parto humanizado, presenciais e no whatsapp.
No dia do parto acordei às 6 com contrações mais fortes acompanhadas de cólica, tipo cólica menstrual. Entre 6 e 7:30 tomei dois banhos e fiz cocô três vezes e como as cólicas não passaram, eu estava em trabalho de parto. Durante as contrações, eu respirava fundo e ficava de cócoras, movimentando o quadril e pulsando para baixo, me sentia bem fazendo isso. Só consegui monitorar o ritmo das contrações por 30 min e o aplicativo ficava me dando alertas de ir para o hospital (rsrsrs).
Avisei a equipe Obstare, a doula Juliana Santini Racca e a fotógrafa Cristiane Pereira o que estava acontecendo e fui tomar café da manhã. Comi rápido e corri pro meu quarto fechei a porta e fui novamente pro chuveiro. A cada contração eu fazia o que meu corpo mandava e lembrei muito das posições que aprendi na yoga e fisioterapia. Ficava feliz com as contrações mais longas e não desperdicei nenhuma contração, sentia que ia dilatar rápido.
Quando me dei conta, todas as mulheres que me ajudariam já estavam aqui em casa.
Por volta das 10:30 eu já estava com 8 cm de dilatação, muitos puxos e não sei precisar quanto tempo depois, já estava com dilatação total.
Um parêntesis sobre a tão temida dor do parto que, a propósito, eu não senti. Explico:
(As contrações vinham acompanhadas de tipo uma cólica menstrual forte e, objetivamente falando, é fato que cólica menstrual forte dói. Mas não era assim que EU sentia. Eu ficava feliz e vibrava com cada contração, que duravam entre 30 segundos e 1 minuto e 15 segundos e quanto mais longa a contração, mais efetiva e eu aproveitava até o último segundo, não ficava sentindo a dor e sofrendo ou lamentando, eu sabia o que fazer e respirava e sabia que precisava abrir a garganta para abrir o canal de parto. E assim fiz! Respirava fundo e botava o ar pra fora pela garganta através de um urro gutural, vocalizava, era algo bem animal, selvagem mesmo. Enfim, não senti a tão temida dor do parto e dilatei rápido).
Mas a Lara não nascia e na minha cabeça a equação era: dilatação total = bebê nascer. Mas a vida não é uma equação matemática e mais uma vez veio me mostrar que a única certeza que temos é que não temos o controle de nada.
Então, eu fiquei com medo, me desesperei, pedia ajuda, pois não sabia mais o que fazer... as meninas falavam pra eu ter calma que a Lara iria nascer quando estivesse pronta, quando o pulmão dela estivesse pronto e sugeriram que eu fosse para a água. Enquanto a banheira inflável ficava pronta, eu fiquei na bola de pilates.
Sentia muita pressão nos quadris, que era aliviada pelas mãos da doula e da Denise. Além disso, ouvia palavras positivas da fotógrafa e a Kátia me lembrava de aliviar a tensão da testa e maxilar.
Eu queria muito que desse certo! Pois não gosto de hospital e meu pânico era ter que ir para o hospital naquele momento. O hospital era meu último plano, a que recorreria somente em caso de risco de vida meu ou do bebe. Eu estava bem, mas os batimentos cardíacos da Lara durante as contrações estavam perto do limite mínimo de segurança aceitável. Mas a equipe que me acompanhava, muito experiente e competente, percebeu que dependendo da minha posição durante as contrações, os batimentos cardíacos do bebê ficavam bem e que se eu ficasse em quatro apoios, estaria tudo certo.
Mais puxos, então eu fui para o rebozo amarrado na escada da sala e ficava de cócoras durante as contrações e na sequência projetava o tronco para frente.
Senti que estava queimando, mais duas ou três contrações a Lara nasceu! A cabeça quando eu estava de cócoras e o restante do corpo quando eu me inclinei para frente.
Sentei e peguei meu bebê, ela veio direto pro meu peito e quis mamar! Cordão ficou ligado até parar de pulsar, placenta saiu naturalmente! Períneo ficou íntegro, sem lacerações! A amamentação fluiu naturalmente e estamos muito bem! Me sinto plena, forte e realizada! Fiz algo grandioso e tenho a certeza da presença de Deus aqui em casa.
Meu marido foi fantástico! De uma inteligência emocional e perspicácia sem igual. Ele sempre me apoiou, incentivou, ajudou, participou, enfim foi presente.
No dia 07/04/2017 eu renasci, minha filha nasceu e minha família ficou mais forte, unida e completa.
Amei

sexta-feira

TEORIA DO APEGO



        A Teoria do Apego foi desenvolvida por John Bowlby, e contemplada na obra de Donald Winnicott  em meados do século XX. Deu origem ao conceito de  "Criação com Apego" (Attachment  Parenting),  que defende uma educação segura, empática, rica em afeto e amor,e visa criar laços familiares mais estreitos  e, assim, um mundo mais compassivo.
O que Bowlby chama de  "figura de apego"  é a mãe, o pai ou a pessoa que assume ativamente o papel principal de cuidar do bebê.  Usaremos neste texto o termo  "mãe", como referência à figura de apego. Neste contexto, definimos  apego  como a ligação emocional que se estabelece ente os pais e o bebê.
Nos primeiros meses de vida, o recém-nascido não tem a menor noção de que ele é um ser separado da mãe. A essa simbiose chamamos  "fusão",  e ela  é necessária ao desenvolvimento do sentido de "pertencimento". A  vivência de uma relação calorosa, íntima e constante com a "mãe", na qual ambos possam encontrar satisfação e prazer, é essencial para o bebê. Esta relação saudável com a "mãe" nos primeiros anos de vida, constitui a base para o desenvolvimento da personalidade  e da saúde mental do indivíduo.
Segundo Bowlby, "o apego é um estado interno, definido pela disposição para buscar proximidade e contato com uma figura especifica, tendo como aspecto central  o estabelecimento do senso de segurança".  É necessário que a criança sinta-se segura e protegida pela  "mãe", desta relação de confiança, serão construídas as futuras interações deste indivíduo com outras pessoas e situações em sua vida.
A criança sente-se mais confiante e protegida quando recebe atenção. Quando é atendida, acolhida e confortada sempre que necessita,  ela desenvolve a confiança em outras pessoas e em diferentes situações, tornando-se mais independente e segura para explorar seu ambiente.
Do  Apego Seguro,  geralmente crescem crianças mais livres para brincar com outras crianças e que reagem com mais tranquilidade quando deixadas em ambientes diferentes. Nas relações familiares, tendem a ser mais amigáveis e espontâneas com os pais, pois se sentem seguras  e confiam na disponibilidade destes para auxiliá-las de forma afetiva em situações adversas.
No Apego Inseguro-Ambivalente, quando suas necessidades não foram adequadamente atendidas, a criança desenvolve a  "angustia da separação". Ela não consegue ter confiança na "mãe" como base segura para explorar o ambiente de modo saudável. Ela tende a antecipar respostas negativas por parte dos pais e manifesta a ansiedade de ser esquecida ou abandonada. Outra possível  consequência, é uma relação mãe-filho próxima demais, indiferenciada, simbiótica e extremamente dependente. Ocorre a falta de limites e um grau de intimidade inadequado.
No Apego Inseguro-Evitativo ou Esquivo, a criança que não teve suas necessidades satisfeitas a contento  e não estabeleceu  uma relação de confiança com a "mãe", ela pode tornar-se insegura, instável, explosiva e esquiva, inclusive em seus relacionamentos futuros, baseada em seu sentimento de rejeição na infância. Existe uma forma de coerção usada pelos pais de crianças deste tipo: a ameaça de abandono. A criança não sabe se receberá ajuda dos pais caso precise. Ela se acostuma a ficar "bem" sozinha e na presença de estranhos, e tende a não buscar conforto e intimidade com os pais, esquivando-se do contato mesmo em situações de estresse.
Na criação com apego  são considerados os aspectos biológicos, psicológicos e emocionais de cada fase de desenvolvimento  da criança. Enquanto ela é pequena, é incapaz de qualquer manipulação, durante o primeiro ano de vida, as necessidades e desejos são a mesma coisa para ela. É vital para o bebê comunicar suas necessidades e que estas sejam tratadas com atenção. Para isso as "mães" devem ser "mães" por inteiro, criando um forte vínculo com seu filho, sendo receptivas, sensíveis  e disponíveis para atender às necessidades da criança.
A ONG ATTACHMENT PARENTING INTERNATIONAL (API) definiu oito princípios que promovem o apego saudável, também chamados de PRINCÍPIOS PARA UMA EDUCAÇÃO INTUITIVA:

1-Preparar-se verdadeiramente para a gravidez, parto e maternidade/paternidade.
 2-Alimentar seu filho com amor e respeito.
3-Responder às solicitações da criança com sensibilidade.
 4-Estar atento à qualidade do toque.
5-Prezar pela qualidade física e emocional do sono da criança de forma que ela se sinta segura dormindo.
6-Sustentar atitudes carinhosas.
7-Praticar a disciplina positiva, baseada no reforço das boas atitudes.
 8-Buscar o equilíbrio na vida familiar.
Winnicott criou a expressão: "mãe suficientemente boa" ou "mãe dedicada normal",  para definir uma condição psicológica muito especial que ocorre com a mulher no final da gestação e nas semanas que sucedem o parto. Ela se volta para a maternidade, sua sensibilidade aumenta e ocorre uma certa dissociação com o mundo externo, isso é considerado normal nesse período. Ocorre um movimento regressivo da mãe na direção de suas próprias experiências enquanto bebê e das memórias acumuladas ao longo da vida, relativas ao cuidado e proteção da criança. A capacidade da mãe em se identificar com o filho, permite-lhe satisfazer a função definida por Winnicott como "holding". Ela é a base para o que gradualmente se transforma em um ser que experimenta a si mesmo. A função do holding em termos psicológicos é fornecer apoio  egóico,  principalmente na fase de dependência absoluta do bebê, antes do aparecimento da integração do ego. O holding inclui principalmente o segurar fisicamente o bebê, que é uma forma de amar. Quando a "mãe" toca o bebê, manipula, aconchega e fala com ele,  promove um arranjo entre o corpo físico e a psique e, principalmente ao olhá-lo, ela se oferece como um espelho onde o bebê pode se ver. O holding é necessário desde a dependência absoluta até a autonomia do bebê, ou seja, quando os espaços psíquicos entre este e sua mãe já estão definidos. Isto vai ocorrendo natural e gradativamente.
Na dependência absoluta,  o bebê depende inteiramente da mãe para sobreviver, para ser e para realizar sua tendência inata  à integração em uma unidade. Aos poucos, ele vai buscando um "objeto transacional " e segue em direção à dependência relativa. A transacionalidade marca o início da quebra da unidade mãe-bebê e o objeto transacional tem a indispensável função de amparo, por substituir a mãe que vai encontrando uma distância saudável de seu bebê.
No período de dependência relativa o bebê vive estados de integração e não-integração, forma os conceitos de eu e não-eu, mundo externo e interno, podendo seguir em seu amadurecimento e independência, que segundo o autor, nunca é absoluta, pois o indivíduo sadio não se torna isolado, mas se relaciona com o ambiente de tal modo que se tornam interdependentes.